25.6.08

arquivo de h.

tudo o que incluimos num projecto insiste em ter um apontamento mnemónico. muitas vezes, porque as coisas se arrastam, insistem em ser reticentes a uma conclusão, como se as ideias e as vontades tivessem um instinto de sobrevivência e serem esquecidas ditasse a sua extinção.
cito a.
'falar contigo trouxe-me à memória coisas. sinto que esse tal projecto meu [i am (project)] ainda não está terminado. ou sinto que falta algo ali.'
o caos instala.se. não é possível trabalhar com o peso de tudo. a memória exige o exercício de compressão. temos que trabalhar com zips mnemónicas. ou não?
a. responderia (é apenas uma citação)
'se por um lado eu quero me (re) organizar, por outro lado toda esta confusão que há em mim parece seduzir-me e dar-me matéria.'
e há outra coisa. a nossa identidade mnemónica. somos o acumular de coisas. mas também somos a forma de comprimir as coisas. conclusão: somos o conjunto não matemático das coisas e da forma como as coisas são. há uma fórmula certamente para isto.
a. diz (citação novamente)
'coloco-me algumas questões perante esta "contradição" de organização/desorganização; no dia em que conseguir ter tudo organizado/reorganizado.. deixo de pensar..'
h. responde
ou não

25 de junho de 2008

censurado por h.

a informação, essa, é que isto está terminado.

10.2.08

fim do ping.pong

tenho, em alguns casos, um receio natural (sim, natural!) de optar. vou chamar.lhe risco. risco de dizer sim em vez de não. risco de me expor em vez de me fechar. risco de me contrair em vez de me abrir. risco de aproximar em vez de fugir. risco de querer ver quando devo ignorar. ou de ignorar o que se mostra. risco de resolver em vez de esperar pela resolução.

nota: de onde parte a resolução?

o risco é uma certeza (assim acredito). quanto mais decisiva for uma escolha, maior risco pode comportar. os meus problemas surgem quando os riscos são grandes, evidentes, susceptíveis de causar dor, irreversíveis.


o acto criativo é um acto por excelência de grandes riscos. não há um risco pequeno, porque cada escolha feita decide as escolhas que ficam por fazer. nada é mecânico no processo criativo, quando este é meu (mesmo que eu ainda não saiba o que é meu, ou o que o 'ser meu' implica). nada implica, quando implica dor, uma dor pequena, fácil de sarar. nada é apenas uma ardência, um golpe superficial. o risco de golpe é similar ao risco de atingir um orgão vital. todos os meus riscos são armas brancas. e sinto que tenho os pulmões sempre à flor da pele. isto faz com que o meu receio natural de optar se torne no medo lógico de perfurar um pulmão. tenho medo.

Dez coisas de que tenho medo no meu trabalho:

1. que ele não seja o que acho que é
2. que ele seja o que acho que é
3. que ele não seja nada
4. que ele seja qualquer coisa
5. que ele tenha potencial maior que aquilo que eu percebo nele
6. que eu perceba potencial que não existe nele
7. que seja apenas um vómito do que vejo que se faz
8. que não tenha ligação nenhuma com que aquilo que outros fazem
9. que seja original
10. que não seja "original"


não sei se alguns destes medos são só meus. não sei se não existem nos outros. se não existem nos trabalhos dos outros. ou será que eu é que não vejo os outros preocupados com isso? será que os outros descobriram uma forma de lidar (sem expressão), com medos iguais aos meus? será o processo criativo igual para todos?! ou será que eu, aterrado por dentro com um dos meus maiores medos, sem capacidade de deslindar um fio lógico para que o medo desapareça, anestesio a minha expressão por falta de concentração e transpareço, quando muito, um ténue movimento entre duas escolhas cuja abrangência ainda não defini? será que o meu medo transpira nos meus poros como uma segurança? será que os outros, que sei seguros, estão tão aterrados quanto eu?


há um risco em tentar perceber isto. o risco de isto não ser importante. se calhar devo apenas continuar o meu caminho e arriscar em dizer que o meu caminho é válido porque eu o faço. e deixar os medos flutuarem nas cabeças de todos, porque se todos lidarmos com os mesmos medos, eu não tenho medo de estar sozinho neste risco.

nota: perder o medo do desconhecido, do que está por trás do risco. exterminar assim o bloqueio.

ando aqui às voltas com o texto e tento perceber o que nele está. o que dentro dele está. o que dentro dele se altera. e como. o que nele está de mim. o que nele está do outro. é estranho "palavras" minhas existirem na boca do outro.

(hugo?) e (andré?)

a espera do dia 3

a. começo a ficar mais aliviado à medida que vou terminando coisas. ontem assim do nada acabei por ir jantar fora. e acabei por chegar a casa às 9 da manhã. foi muito divertido! mas sair à noite agora só em ocasiões especiais! estou farto da noite!! quero aproveitar o dia!
h. fazes bem. até porque os dias começam a assumir um conforto diferente.. eu voltei a um hábito antigo. sair do trabalho (2 ou 3 da manhã) e andar.. sem rumo. não interessa onde chego. interessa é o tempo que demoro..
a. temos que combinar uma noitada para falarmos. nada de bairro. gosto dos teus mails. gosto das tuas palavras.
h. combinamos um sarau, privado, sem ruído. o teu caos mental. a minha fluidez de discurso. temos que gravar para não ficarmos retidos na fixação do que se diz.

dia 2

enquanto aguardam por um encontro a 3 (eles e um gravador) que permita um discurso fluido e desligado da memória, a. e h. discursam de forma solta e desprovida de título. será assim até ao dia 3.

nota: a. e h. perderam entretanto a sua natureza de estranhos. passaram a ser pessoas que se conhecem, cruzam, mas que têm dificuldade em se encontrar.

17.12.07

dia 1

hoje é o primeiro dia de um discurso que queremos longo, censurado q. b. e sincero.
2 pessoas (ou serão mesmo personagens?), cada uma enraízada num projecto, usam os seus percursos individuais para descobrirem o que o outro anda a fazer. podia ser o início de um texto dramático. podia ser o início de um espectáculo de teatro. neste momento é um apêndice do HBO. graças à intervenção de um artista do space.
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